A medida que o último mês da quadra chuvosa no Ceará avança, aumenta a
preocupação quanto à incidência de novas precipitações no decorrer do
ano. Contudo, os aportes registrados desde o início de 2018, já
ultrapassando os 2 bilhões de metros cúbicos (m³) de água até o momento,
garantem o abastecimento humano até o fim do ano em todo o Estado, na
avaliação da Companhia de Gestão de Recursos Hídricos (Cogerh).
A Bacia Metropolitana, responsável pela água que chega à Capital e aos
municípios da Região Metropolitana (RMF), conta hoje com 32,11% de seu
volume máximo, segundo relatório do órgão.
Olhando especificamente para o sistema integrado formado pelos açudes
Pacajus, Pacoti, Riachão e Gavião, o volume atual, segundo destaca o
presidente da Cogerh, João Lúcio Farias, chega a 37,8%. "Em maio de 2017
eles estavam com 48,7% e iniciaram este ano com 20,9%. Mesmo com o
inverno reduzido, o sistema continua pegando alguma água", comenta.
A necessidade do complemento oriundo da Bacia do Jaguaribe,
principalmente do Açude Castanhão, segundo Farias, continuará por
enquanto. O reservatório, o maior do Estado, chegou a ter apenas 2,65%
de sua capacidade máxima no começo do ano e, ontem, registrava 8,7% de
seu volume total. "Então, o sistema metropolitano conta hoje com essa
reserva, mas também com o aporte que houve no açude Castanhão. Portanto,
temos condição de atravessar esse ano, mas, claro, que contando com
todas as ações que a gente vem fazendo até aqui".
Entre elas, segundo reforça o presidente da Cogerh, está a cobrança da
Tarifa de Contingência e as ações para novas alternativas de
abastecimento, como o aproveitamento das águas do Maranguapinho, a
perfuração de poços integrados ao sistema metropolitano na região do
Pecém e da Taiba, assim como o projeto de utilização das águas da
barragem do Rio Cocó. A expectativa da pasta é que as obras para essa
integração aconteçam ainda durante este ano.
Os 155 reservatórios monitorados pela Cogerh concentram, atualmente,
16,9% da capacidade total do Estado. Destes, 18 estão sangrando, 28
possuem volume acima de 90%, 83 estão com armazenamento inferior a 30% e
24 atingiram o volume morto. Outros setes estão completamente secos.
Entre as bacias, a do Banabuiú está em pior situação, com apenas 9,93%
de seu volume máximo. "Numa situação dessa, o ideal é que chegasse a 30%
para dar uma condição melhor de operação dos reservatórios. Essa bacia
vai ser priorizada para o abastecimento humano e haverá restrição em
outras atividades, como a irrigação. Estamos com uma garantia maior para
o abastecimento humano em todas as bacias hidrográficas", destaca o
presidente da Cogerh.
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