O malacologista, como é conhecido o profissional que estuda os moluscos, publicou a descoberta na revista científica alemã Spixiana,
em dezembro último. Luiz Ricardo começou o estudo há dois anos, após
revisar o material que estava guardado no Museu de Zoologia da USP. O
estudo ficou pronto há cerca de um ano, quando foi enviado à publicação
europeia.
"Vi que a concha era totalmente
transparente. Essa transparência lembra muito a Lava Jato e resolvi
homenagear tanto a operação quanto o ex-juiz Sergio Moro, que é quem
estava à frente na época", frisa o cientista. Ele explica que muitos
materiais coletados ficam depositados no Museu e só depois chegam a ser
estudados.
O material "grande e vistoso" (de 3
cm a 4 cm), como classifica o cientista, estava preservado com álcool, o
que possibilita o estudo da anatomia. Lavajatus moroi é de uma
subulinina - subfamília de caramujos terrestres encontrados em áreas
tropicais. "Nossa fauna é muito mal conhecida. É quase uma rotina
encontrar, em revisões, esse tipo de material que está no museu porque
algum biólogo encontrou e resolveu depositar", explica.
Embora
não existam expedições recentes para a região de Santa Quitéria, os
biólogos calculam que a espécie ainda exista na área. "É um animal
relativamente frágil porque só dá na caverna. Chamamos de animal
endémico quando a distruição é muito restrita", elabora. "É um animal
que precisa ser preservado. Antes ninguém conhecia, mas agora vai entrar
na lista de animais ameaçados. Animais muito restritos correm esse
grande risco porque a caverna pode inundar, pode ser derrubada, por
exemplo, aí a espécie é extinta".
Pós-doutor
pelo Museu de Zoologia da USP e pelo Field Museum of Natural History em
Chicago, nos Estados Unidos, o malacologista tem experiência com
materiais coletados no Ceará. Especialmente de moluscos. Luiz Ricardo
esteve no Ceará cerca de uma dúzia de vezes, algumas em projetos junto à
Universidade Federal do Ceará (UFC) e também pelo Projeto de
Conservação e Utilização Sustentável da Diversidade Biológica Brasileira
(Probio).

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