quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Alzheimer: O músico que faz serenata todos os dias para esposa diagnosticada com a doença

Todas as tardes, o músico Lúcio Yanel, de 72 anos, entoa serenatas para a esposa. Entre uma canção e outra, o artista busca tranquilizar o olhar perdido e acalentar o choro de Sueli de Fátima Teixeira, que atualmente enfrenta a fase mais grave da doença de Alzheimer.
O idoso encontrou nas apresentações uma forma de se aproximar da mulher, que, segundo o artista, tem vivido em um mundo distante.
Casado há 25 anos com Sueli, o músico conta que tem enfrentado períodos difíceis. A esposa do artista não consegue mais andar, falar ou se alimentar sozinha. "Ela precisa de ajuda para tudo e passa o dia inteiro na cama", conta à BBC News Brasil.
Na última quarta-feira (23), o artista, sempre discreto em relação à companheira, publicou a primeira foto dos dois juntos desde que a doença da mulher atingiu o nível mais grave.
"Para que me sinta ao seu lado, minhas serenatas diárias"
Ele postou uma foto na qual se apresentava com seu violão para a companheira. Junto com a imagem, fez um desabafo. "Já faz alguns anos que o maldito Alzheimer vai me roubando a minha amada companheira. E para que me sinta ao seu lado, minhas serenatas diárias. Tu és o meu melhor público", escreveu.
A publicação de Lúcio viralizou nas redes sociais. No Facebook, teve mais de 50 mil reações e 59 mil compartilhamentos.
Nos comentários, internautas parabenizaram o artista. "O amor sempre vai superar as intempéries da vida", escreveu um homem. "A emoção ao ler isso é imensa e quase não cabe no peito", disse uma mulher.
A repercussão surpreendeu Lúcio. "Publiquei meio que sem querer, não imaginei que tantas pessoas fossem ver. Eu sempre vivia ocultando a situação da minha mulher, porque é muito melindroso para um artista fazer esse tipo de publicação. As pessoas podem pensar que é algo piegas", comenta.
"Estou acompanhando minha esposa sofrer com o Alzheimer"
"Mas cansei de aparentar uma alegria. Estou sempre, digamos, fingindo uma alegria que não existe na minha atual fase da vida. Estou acompanhando minha esposa sofrer com o Alzheimer e não tenho muito o que fazer para evitar isso", lamenta.
O Alzheimer é considerado o tipo mais comum de demência que existe no mundo. Conforme estudos sobre o tema, estima-se que 5% da população acima dos 65 anos possa desenvolver a doença. Após os 80 anos, a estimativa sobe para 30%.
As causas da doença não são completamente conhecidas. Os tratamentos disponíveis ajudam a aliviar os sintomas, mas não impedem a evolução do Alzheimer.

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