A saída a campo no último dia 15/12, em Roraima, era para ir em busca
de ninhos e ovos. Mas uma ave pousada no galho de uma árvore de um
complexo de serras na região de Mucajaí despertou a atenção do
ornitólogo Tony Bichinski.
Era a águia solitária, uma poderosa ave de rapina com distribuição nas
florestas montanhosas dos Andes e da América Central. Naturalmente rara,
ela costuma ser observada solitariamente, daí surgiu seu nome. Esse foi
o primeiro avistamento do animal no Brasil, um acaso que virou momento
histórico.
Este registro valoriza e evidencia ainda mais a biodiversidade do nosso
País e deixa claro o quanto ainda há para ser feito em busca do
conhecimento de nossa fauna
O ornitólogo explica que a baixa densidade populacional e os hábitos da
espécie batizaram seu nome em inglês - Solitary Eagle - e por ser a
primeira vez que a espécie foi registrada em solo nacional ainda não
recebeu um nome vernáculo em português, sendo águia-solitária apenas uma
tradução.
A ocorrência de uma ave de grande porte e topo de cadeia como essa,
indica que a região fornece as condições ideais à sua sobrevivência.
Para uma ave tão rara e com distribuição irregular na América do Sul, o
Brasil além de ganhar uma nova espécie, passa a ser uma peça-chave na
sua conservação.
No momento, estudos estão sendo implementados por diversos ornitólogos
no complexo de serras onde a espécie foi observada e isso poderá trazer
novos frutos sobre o assunto, contribuindo diretamente no conhecimento
das aves que habitam esta região e possibilitando angariar mais
informações sobre a espécie.
A águia solitária é uma ave que pode ser facilmente confundida com
outros gaviões, contudo, o porte avantajado, as penas primárias das asas
ultrapassando as penas da cauda, a coloração cinza-chumbo e as garras
robustas a diferem dos demais. As fêmeas podem chegam a medir de 70 a 75
centímetros e pesar até 3 quilos.
O habitat (da águia solitária) ocorre em nosso País apenas nos estados
do Acre, Amapá e Roraima; regiões ainda pouco estudadas pela ciência,
remotas e de difícil acesso, dificultando ainda mais o trabalho dos
cientistas
O ornitólogo responsável pelo avistamento conta ainda que a espécie
necessita de um habitat bem específico para viver ocorrendo em extensas
florestas de influência amazônica, localizadas em encostas rochosas e
serras, ambiente semelhante onde a ave foi registrada nos países
vizinhos, como no complexo andino e escudo das Guianas.
Falta de incentivo
Embora haja o empenho de todo um grupo de especialistas envolvidos em
diversos estudos com aves, trabalhando incessantemente pela ciência
brasileira, muito ainda preciso ser feito, aponta o ornitólogo que
integra o Centro Independente de Estudos Oológicos. A falta de incentivo
e apoio à pesquisa dificulta a coleta de informações e prejudica a
tomada de medidas necessárias à conservação das nossas espécies.
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