quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Águia solitária é vista pela primeira vez no Brasil




A saída a campo no último dia 15/12, em Roraima, era para ir em busca de ninhos e ovos. Mas uma ave pousada no galho de uma árvore de um complexo de serras na região de Mucajaí despertou a atenção do ornitólogo Tony Bichinski.
Era a águia solitária, uma poderosa ave de rapina com distribuição nas florestas montanhosas dos Andes e da América Central. Naturalmente rara, ela costuma ser observada solitariamente, daí surgiu seu nome. Esse foi o primeiro avistamento do animal no Brasil, um acaso que virou momento histórico.
Este registro valoriza e evidencia ainda mais a biodiversidade do nosso País e deixa claro o quanto ainda há para ser feito em busca do conhecimento de nossa fauna
— Tony Bichinsky, ornitólogo
O ornitólogo explica que a baixa densidade populacional e os hábitos da espécie batizaram seu nome em inglês - Solitary Eagle - e por ser a primeira vez que a espécie foi registrada em solo nacional ainda não recebeu um nome vernáculo em português, sendo águia-solitária apenas uma tradução.
A ocorrência de uma ave de grande porte e topo de cadeia como essa, indica que a região fornece as condições ideais à sua sobrevivência. Para uma ave tão rara e com distribuição irregular na América do Sul, o Brasil além de ganhar uma nova espécie, passa a ser uma peça-chave na sua conservação.
É preciso um olhar atento para notar a presença da ave:  mais comum nos Andes e América Central  — Foto: Tony Bichinski/Arquivo Pessoal

No momento, estudos estão sendo implementados por diversos ornitólogos no complexo de serras onde a espécie foi observada e isso poderá trazer novos frutos sobre o assunto, contribuindo diretamente no conhecimento das aves que habitam esta região e possibilitando angariar mais informações sobre a espécie.
A águia solitária é uma ave que pode ser facilmente confundida com outros gaviões, contudo, o porte avantajado, as penas primárias das asas ultrapassando as penas da cauda, a coloração cinza-chumbo e as garras robustas a diferem dos demais. As fêmeas podem chegam a medir de 70 a 75 centímetros e pesar até 3 quilos.
O habitat (da águia solitária) ocorre em nosso País apenas nos estados do Acre, Amapá e Roraima; regiões ainda pouco estudadas pela ciência, remotas e de difícil acesso, dificultando ainda mais o trabalho dos cientistas
— Tony Bichinski, ornitólogo
O ornitólogo responsável pelo avistamento conta ainda que a espécie necessita de um habitat bem específico para viver ocorrendo em extensas florestas de influência amazônica, localizadas em encostas rochosas e serras, ambiente semelhante onde a ave foi registrada nos países vizinhos, como no complexo andino e escudo das Guianas.
Falta de incentivo
Embora haja o empenho de todo um grupo de especialistas envolvidos em diversos estudos com aves, trabalhando incessantemente pela ciência brasileira, muito ainda preciso ser feito, aponta o ornitólogo que integra o Centro Independente de Estudos Oológicos. A falta de incentivo e apoio à pesquisa dificulta a coleta de informações e prejudica a tomada de medidas necessárias à conservação das nossas espécies.

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