Segunda fase da Operação Ross investiga lavagem de dinheiro e corrupção passiva. Casa da mãe do senador é um dos alvos.
Por Fernando Zuba, TV Globo — Belo Horizonte
O senador Aécio Neves (PSDB-MG), em foto de novembro de 2017 — Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado/Arquivo
A Polícia Federal cumpre três mandados de busca e apreensão em
endereços ligados à família do senador Aécio Neves (PSDB), nesta
quinta-feira (20), em Belo Horizonte. Um dos locais é a casa da mãe do
parlamentar, na Rua Pium-í, na Região Centro-Sul. Esta é segunda fase da
Operação Ross, que investiga o recebimento de vantagens indevidas do
grupo J&F, entre os anos de 2014 e 2017.
Os outros endereços são a casa de Frederico Pacheco, primo do senador, e
uma empresa de comunicação, que seria de Pacheco em sociedade com a
jornalista Andrea Neves, irmã de Aécio. Atualmente senador, Aécio
termina o mandato neste ano e, no próximo, assume uma vaga na Câmara dos
Deputados.
O objetivo, segundo a PF, é coletar elementos que podem indicar lavagem de dinheiro e corrupção passiva.
No dia 11 deste mês, com o apoio do Ministério Público Federal, foram cumpridas ordens judiciais em imóveis do senador da irmã dele, no Rio de Janeiro e em Minas Gerais.
As buscas desta quinta-feira (20) foram determinadas pelo ministro
Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal (STF). Devem ser recolhidos
documentos em papel e arquivos digitais.
A reportagem tenta contato com os advogados de Aécio, Andrea e da mãe. A
defesa de Pacheco foi contatada e um retorno é aguardado.
A J&F disse que não se manifestar sobre esta fase da operação.
Delação de executivos da J&F
A Operação Ross teve início a partir de delação de executivos da
J&F para apurar denúncias de compra de apoio político. Segundo a PF,
Aécio Neves comprou apoio do partido Solidariedade por R$ 15 milhões, e
empresários paulistas ajudaram com doações de campanha e caixa 2, por
meio de notas frias. Outros partidos também teriam sido beneficiados.
Os executivos do grupo J&F relataram ao Ministério Público Federal o
repasse de propina de quase R$ 110 milhões ao senador.
Nenhum comentário:
Postar um comentário