O presidente Michel Temer (MDB) admitiu, em entrevista à TV Brasil
nessa terça-feira, 29, que o Governo pode rever a política de preços de
combustíveis da Petrobras – para além do diesel acordado com o movimento
dos caminhoneiros. Conversas neste sentido entre o governo e a estatal
já foram confirmadas por uma fonte ouvida pela Agência Reuters.
“A
Petrobras se recuperou ao longo desses dois anos. Estava em uma
situação economicamente desastrosa há muito tempo, mas nós não queremos
alterar a política da Petrobras. Nós podemos reexaminá-la, mas com muito
cuidado”, disse o presidente. Depois de dúvidas iniciais, devido à
qualidade do som, sobre se Temer havia dito “nós podemos reexaminá-la”
ou “não podemos reexaminá-la”, duas fontes palacianas confirmaram que a
afirmação do presidente foi mesmo “nós podemos reexaminá-la”.
De
acordo com uma das fontes, a questão da previsibilidade dos preços – que
hoje são reajustados quase diariamente para refletir a variação do
preço do câmbio e do petróleo no mercado internacional – terá que ser
tratada em breve. “A política de preços da Petrobras funcionou com a
estabilidade da moeda e do petróleo. Sem isso, criou-se um problema.
Precisamos estudar alternativas”, disse uma das fontes.
Em meio ao
tumulto causado pela greve dos caminhoneiros e da decisão do governo de
estabelecer que os reajustes do óleo diesel só poderão ser feitos a
cada 30 dias – com uma compensação a Petrobras por eventuais perdas – a
empresa chegou a perder, nos últimos dias, mais de R$ 120 bilhões em
valor de mercado por reações a uma possível interferência do governo na
política de preços da empresa.
“Não dá para congelar a discussão.
Não se pode gerar perdas para a empresa, mas temos que analisar o que
pode ser feito. Temos que lembrar que a Petrobras é um monopólio, é o
único fornecedor do país. Se a sociedade não tem uma outra opção tem que
ter alguma forma de preservar o direito do consumidor”, analisou a
fonte.
Segundo essa mesma fonte, já houve conversas iniciais entre
o ministro de Minas e Energia, Moreira Franco, e o presidente da
Petrobras, Pedro Parente. Apesar de resistir a mudar a política da
empresa, Parente estaria sensível à necessidade de dar mais previsão aos
reajustes, desde que não haja perdas para a empresa. As discussões, no
entanto, só devem avançar depois de encerrada de vez a greve dos
caminhoneiros e normalizada a situação de abastecimento do país.
“Essa
conversa terá que ser feita. Pode não dar em nada, se o dólar se
estabilizar”, disse a fonte. “Mas temos que tratar do assunto.” Uma
outra fonte palaciana disse ainda que o governo não teria nesse momento
recursos para compensar a Petrobras por uma mudança de política que
inclua gasolina e gás de cozinha.
Fonte: Ceará Agora.
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