quarta-feira, 30 de maio de 2018

Temer diz que governo pode mexer com política de preços da Petrobras

 
O presidente Michel Temer (MDB) admitiu, em entrevista à TV Brasil nessa terça-feira, 29, que o Governo pode rever a política de preços de combustíveis da Petrobras – para além do diesel acordado com o movimento dos caminhoneiros. Conversas neste sentido entre o governo e a estatal já foram confirmadas por uma fonte ouvida pela Agência Reuters.
“A Petrobras se recuperou ao longo desses dois anos. Estava em uma situação economicamente desastrosa há muito tempo, mas nós não queremos alterar a política da Petrobras. Nós podemos reexaminá-la, mas com muito cuidado”, disse o presidente. Depois de dúvidas iniciais, devido à qualidade do som, sobre se Temer havia dito “nós podemos reexaminá-la” ou “não podemos reexaminá-la”, duas fontes palacianas confirmaram que a afirmação do presidente foi mesmo “nós podemos reexaminá-la”.
De acordo com uma das fontes, a questão da previsibilidade dos preços – que hoje são reajustados quase diariamente para refletir a variação do preço do câmbio e do petróleo no mercado internacional – terá que ser tratada em breve. “A política de preços da Petrobras funcionou com a estabilidade da moeda e do petróleo. Sem isso, criou-se um problema. Precisamos estudar alternativas”, disse uma das fontes.
Em meio ao tumulto causado pela greve dos caminhoneiros e da decisão do governo de estabelecer que os reajustes do óleo diesel só poderão ser feitos a cada 30 dias – com uma compensação a Petrobras por eventuais perdas – a empresa chegou a perder, nos últimos dias, mais de R$ 120 bilhões em valor de mercado por reações a uma possível interferência do governo na política de preços da empresa.
“Não dá para congelar a discussão. Não se pode gerar perdas para a empresa, mas temos que analisar o que pode ser feito. Temos que lembrar que a Petrobras é um monopólio, é o único fornecedor do país. Se a sociedade não tem uma outra opção tem que ter alguma forma de preservar o direito do consumidor”, analisou a fonte.
Segundo essa mesma fonte, já houve conversas iniciais entre o ministro de Minas e Energia, Moreira Franco, e o presidente da Petrobras, Pedro Parente. Apesar de resistir a mudar a política da empresa, Parente estaria sensível à necessidade de dar mais previsão aos reajustes, desde que não haja perdas para a empresa. As discussões, no entanto, só devem avançar depois de encerrada de vez a greve dos caminhoneiros e normalizada a situação de abastecimento do país.
“Essa conversa terá que ser feita. Pode não dar em nada, se o dólar se estabilizar”, disse a fonte. “Mas temos que tratar do assunto.” Uma outra fonte palaciana disse ainda que o governo não teria nesse momento recursos para compensar a Petrobras por uma mudança de política que inclua gasolina e gás de cozinha.
 Fonte: Ceará Agora.

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