Aposentada por invalidez, Marlúcia Costa é feliz com a vida que tem e conta ao O POVO Online que "faz tudo"
Marlúcia Costa, 55 anos, moradora do bairro Serviluz, em Fortaleza,
afirma com uma perceptível felicidade na fala o quanto é grata pela sua
vida, pela sua saúde e por suas filhas. Nascida com retinose
pigmentosa, doença em que uma célula do olho não se desenvolve, a
aposentada perdeu completamente a visão após o nascimento da sua
primeira filha, há quase 30 anos. Filha de dois primos de 1º grau, ela é
uma de três filhos e a única com a doença.
"Se
eu te dissesse que foi fácil, não foi. Mas não é impossível. Deus só
coloca na vida aquilo que sabe que a gente pode aguentar. Na hora a
gente se assusta. Quando eu soube do problema foi difícil. Mas a gente
consegue.", confessa Marlúcia ao O POVO Online.
Com
duas filhas, uma de 24 anos e outra de 28 anos, e "três netos
maravilhosos", como se refere, Marlúcia hoje é aposentada por invalidez.
Ela conta que "Dona Bernadete", que foi chefe dela por um período em um
restaurante, a ajudou em todas as etapas do processo. "Eu não tinha
mais como trabalhar mas tinha que tentar. No restaurante, falei que não
ia assinar carteira de trabalho com medo de acontecer algum acidente
comigo. Foi aí que a Dona Bernadete disse que ia me ajudar porque a mãe
dela também era deficiente visual. Ela me levou pro INSS", relembra.
À
época, ela tinha sido deixada pelo marido, com quem havia ido morar em
São Luís, mas logo voltou a Fortaleza após a separação. Marlúcia pontua
que um relacionamento entre pessoas que tem todos os cinco sentidos é
"uma maravilha", mas "ter uma deficiência e permanecer em uma relação é
muito mais difícil".
Mãe solteira, criou
praticamente as duas filhas por conta própria. Em uma consulta médica,
quando descobriu o nome de sua doença, um médico do Instituto dos Cegos
disse que se ela não tivesse tido filhos, talvez a condição "se
estacionasse" e ela não tivesse perdido a visão por completo. Marlúcia é
certeira: não me me arrependo em momento nenhum de ter tido minhas
filhas".
A luta diária
A
aposentada, moradora do Serviluz (bairro Cais do Porto), se apresenta
como "duas mulheres": uma de casa para fora e outra da casa para fora.
"Pra me locomover eu preciso ter alguém. Fortaleza é muito perigosa para
quem enxerga, imagina para quem não vê nada. Já dentro de casa eu sou
bem localizada, faço tudo. Varro a casa, faço almoço, lavo roupa.",
afirma.
Ela também pondera o preconceito
sofrido na vida por ser cega e mãe. Para ela, algumas pessoas são
"complicadas" e acham que pessoas com deficiência não pode ter uma vida
normal e ativa. "Eles acham que não pode se maquiar".
Mães independentes
Pesquisa
do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que em
10 anos o Brasil aumentou o número de famílias constituídas apenas por
mães e filhos em 1,1 milhão. Este indicativo já soma 11,6 milhões de
mães solteiras, que criam seus filhos sem ajuda paterna, seja por opção
ou afastamento dos pais, além de conciliar trabalho.
Mães pela inclusão e sustentabilidade
Mães
que lutam diariamente com suas deficiências e dificuldades de ser mãe
solteira estarão em um encontro promovido pelo Hapvida Saúde neste
sábado, 12, na Praça Antônio Prudente, às 9 horas. O momento será de
compartilhamento de histórias de mães de diversos perfis e contará com
ações envolvendo sustentabilidade.
Marlúcia é uma
destas participantes e conta que a oportunidade será proveitosa para
trocar experiência com outras mães. "Acho que Fortaleza ajuda pouco
pessoas que precisam de uma maior acessibilidade. As dificuldades para
cadeirantes, por exemplo, são muito presentes", diz.
Algumas das atividades são plantação de mudas, jardinagem e passeios nos carros compartilhados elétricos do Hapvida.
Fonte: O Povo Online.

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