sexta-feira, 4 de maio de 2018

Além de Fundo Eleitoral, legendas poderão usar Fundo Partidário nas campanhas

PARA MINISTRO Tarcísio Vieira, uso de fundo partidário na campanha se insere no exercício regular da autonomia partidária MARCELO CAMARGO/ AGÊNCIA BRASIL




O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou por unanimidade, na manhã de ontem, que o Fundo Partidário poderá ser utilizado para financiar as campanhas deste ano. No total, as legendas terão R$ 2,5 bilhões em recursos públicos disponíveis para as eleições, valor decorrente da soma do Fundo Partidário com o Fundo Eleitoral.

O órgão se manifestou sobre o assunto ao responder consulta apresentada pelo deputado federal Augusto Carvalho (SD-DF), que questionou o Tribunal se, após a criação de fundo específico para o custeio das campanhas, o Fundo Partidário ainda poderia ser utilizado para este fim sem configurar “desvio de finalidade nem abuso de poder econômico”.
O ministro Tarcísio Vieira, relator do caso, respondeu que a utilização de parte do Fundo para o financiamento de campanhas “se insere no exercício regular da autonomia partidária” e que, apesar de bilionários, os valores ainda estão “muito distantes dos R$ 7 bilhões que foram utilizados nas campanhas eleitorais de 2014”.
O Fundo Partidário, de R$ 888,7 milhões, é utilizado para a manutenção dos partidos a nível nacional e local, em despesas diversas como o custeio das sedes, a realização de eventos e o pagamento de passagens áreas de membros dos diretórios em serviço. Além disso, ao menos 5% do valor deve ser destinado a programas que incentivem a participação feminina na política.
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Por causa disso, os dirigentes partidários afirmam que o impacto financeiro da liberação do seu uso para as campanhas não deverá ser muito significativo. “O valor que os partidos recebem do Fundo Partidário mal dá para o custeio dos diretórios nos estados. Não vai sobrar nada, ou muito pouco, para a campanha”, diz Gaudêncio Lucena, presidente do MDB no Ceará.

Já o Fundo Eleitoral foi criado exclusivamente para custear as campanhas e será utilizado pela primeira vez este ano. Existem regras de distribuição do seu valor de R$ 1,7 bilhão entre as legendas, que levam em consideração representação na Câmara dos Deputados e no Senado.

Após receberem os valores, porém, cada partido é livre para decidir como os dividirá entre os estados e os candidatos. “Isso está dentro da autonomia partidária. Cada sigla tem condições de saber onde deve investir mais, onde terá mais retorno”, explica a advogada especialista em direito eleitoral, Isabel Mota.

Ela diz, porém, que por ser o primeiro ano de uso da verba, a tendência é que o TSE fique mais rigoroso na fiscalização. “Como é um fundo recém-criado, nada impede que o TSE venha a intervir um pouco na utilização dele para corrigir algumas falhas que surjam, mas os partidos têm total autonomia para decidir”, completa.

Nesse contexto, os partidos começam a se reunir este mês para definir como os valores serão distribuídos. Segundo Gaudêncio, o MDB deve fazer um encontro em até 15 dias para discutir o assunto. Francini Guedes, presidente estadual do PSDB, disse que a reunião da sigla será no próximo dia 9, em Brasília. Já o deputado estadual Moisés Braz, presidente do PT Ceará, afirmou que encontro da legenda será só no fim do mês.

Eles todos vão esperar essa definição para reunir-se com os respectivos diretórios estaduais para definir o valor que será distribuído para os candidatos. Tendência é que os candidatos a deputado federal sejam priorizados porque a representação na Câmara determina o valor de Fundo Partidário de cada sigla. Além disso, devem receber mais os candidatos que já possuem mandatos eletivos, e os que têm mais densidade eleitoral.

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