As simulações indicam que as configurações nos oceanos Pacífico e Atlântico terão impactos negativos até maio
Precipitações abaixo da média em todo o Ceará. Essa foi a tendência
apontada para os próximos meses pelo Centro de Previsão de Tempo e
Estudos Climáticos (CPTEC), órgão vinculado ao Instituto Nacional de
Pesquisas Espaciais (Inpe), em seu mais recente relatório trimestral,
divulgado nesta semana.
As simulações realizadas pelos pesquisadores indicam que as
configurações nos oceanos Pacífico e Atlântico terão impactos negativos
tanto na pré-estação chuvosa, durante os meses de dezembro e janeiro,
quanto no início da quadra de chuvas, no mês de fevereiro.
O meteorologista do CPTEC/Inpe Diogo Arsego explica que um dos fatores
considerados na análise é o desenvolvimento do fenômeno La Niña no
Oceano Pacífico, o qual, segundo o relatório dos órgãos, deve chegar à
maturação neste trimestre. Segundo o especialista, a alteração climática
encontra-se em baixa intensidade e a expectativa é que o oceano atinja
condições de neutralidade até o mês de março, quadro que não será
benéfico para ocorrência de precipitações no Estado.
No Oceano Atlântico, conforme Arsego, as previsões também apontam para
cenários desfavoráveis.
Com base nos dados observados, o meteorologista destaca que as
precipitações devem ficar abaixo do normal, em especial na pré-estação
chuvosa. "O Ceará deve ter, na pré-estação, precipitações mais isoladas e
menos frequentes", acrescentou o especialista.
Ainda conforme o relatório do CPTEC/Inpe, apesar do prognóstico de
poucas chuvas, a situação dos reservatórios no Estado deve se manter
estável. O documento cita o açude Castanhão, atualmente com 2,92% de sua
capacidade. De acordo com os órgãos, o volume armazenado do
reservatório pode chegar a 2,5% no início de 2018, com possibilidade de
aumento entre janeiro e fevereiro.
Contrapondo as projeções do CPTEC/Inpe, a Somar Meteorologia, empresa
que atua no ramo de meteorologia, oceanografia e meio ambiente, prevê
chuvas acima da média até o fim de dezembro em algumas regiões do Estado
e dentro da média no mês de janeiro. Para a estação chuvosa, a
meteorologista Maria Clara Sassaki destaca que os cenários precisam ser
monitorados, mas análises iniciais apontam para precipitações
significativas nos meses de fevereiro e abril e mais fracas em março e
maio.
"A tendência é que a estação comece com chuva expressiva, mas isso não
deve se manter no decorrer do mês de março, quando perde intensidade. Os
modelos indicam que março é o pior mês e maio também será ruim. Para
abril, haverá alguma chuva, tanto na primeira quanto na segunda
quinzena, mas dentro da média", observa.
Imprevisibilidade
Sobre a pré-estação chuvosa, a Fundação Cearense de Meteorologia
(Funceme) afirma que os sistemas climáticos em atuação nos meses de
dezembro e janeiro são de alta imprevisibilidade e projeções mais
precisas só podem ser realizadas com poucos dias de antecedência. No
entanto, segundo o meteorologista do órgão Raul Fritz, historicamente,
as chuvas do período começam a ser registradas em maior concentração a
partir da segunda quinzena deste mês.
Contudo, ele afirma que uma das tendências observadas é que a presença
do La Niña no Oceano Pacífico pode ser favorável à ocorrência de chuvas,
desde que o Oceano Atlântico também ofereça características propícias.
"Por si só, o La Niña não é determinante na qualidade das chuvas no
Ceará, mas pode ajudar se o Oceano Atlântico estiver com condições
favoráveis. Estamos aguardando uma definição maior sobre o Atlântico,
porque ele varia muito. Por isso, o primeiro prognóstico para a quadra
chuvosa só será lançado em janeiro", diz.
Fonte: Diário do Nordeste
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