Stewart Adams morreu em 30 de janeiro, aos 95 anos — Foto: Samuel Kirby/Boots UK (via BBC)
Stewart Adams sabia que havia encontrado um possível novo analgésico
quando se curou de uma ressaca pouco antes de fazer um discurso
importante.
"Eu era o primeiro a falar e estava com um pouco de dor de cabeça
depois de uma noite com os amigos. Então tomei uma dose de 600 mg, só
para garantir, e achei que foi muito eficaz."
Adams morreu na última quarta-feira, aos 95 anos. Aos 92, o
farmacêutico relembrou em entrevista à BBC os anos de pesquisa, os
testes intermináveis de compostos e as muitas decepções antes de ele e
sua equipe chegarem ao ibuprofeno.
Desde a aprovação e comercialização da droga, há 50 anos, o ibuprofeno
tornou-se um dos analgésicos mais populares do mundo. É difícil
encontrar um armário de remédios que não tenha esses comprimidos.
Está com febre? Dor de cabeça? Dor nas costas? Dor de dente? Então é
provável que o ibuprofeno seja a droga escolhida para tratar seus
sintomas porque é de ação rápida e está disponível até em supermercados.
O Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido alerta, no entanto, que o
medicamento deve ser tomado na menor dose e pelo menor tempo possível,
já que pode causar efeitos colaterais como náuseas e vômito.
Sua popularidade para o tratamento de dores não é apenas um fenômeno em
território britânico. Na Índia, por exemplo, é a escolha preferida para
febre e dor e, nos Estados Unidos, tem sido um medicamento de venda
livre desde 1984. Também é usado para tratar inflamação em doenças como a
artrite.
E, como o próprio Adams notou em uma viagem ao Afeganistão na década de
1970, até as remotas farmácias da aldeia ao longo do passo Khyber
vendiam sua descoberta.
A procura por um desafio
Tudo começou com um garoto de 16 anos de Northamptonshire, na
Inglaterra, que deixou a escola sem um plano certo para o futuro.
Ele foi ser aprendiz em farmácia na Boots, hoje uma grande rede do
ramo, e a experiência o levou a buscar uma licenciatura em farmácia na
Universidade de Nottingham, seguida por um doutorado em farmacologia na
Universidade de Leeds, antes de retornar ao departamento de pesquisa da
Boots, em 1952.
Sua missão na época era encontrar um novo tratamento para artrite
reumatoide que fosse tão eficaz quanto um esteroide, mas sem os efeitos
colaterais.
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