Conforme levantamento do O POVO no Portal de Licitações do Tribunal de
Contas do Estado (TCE-CE), duas prefeituras chegaram a lançar este ano
certame para realização das festas, mas cancelaram. Pentecoste foi uma
delas. "A gente pensou que daria para fazer, mas não tem recurso", disse
o prefeito João Bosco Tabosa.
A
Prefeitura de Santa Quitéria também se preparava para contratar bandas e
estrutura para o Carnaval, mas voltou atrás. Pelas redes sociais, o
Município informou que o cancelamento foi decisão unânime dos
secretários da gestão. Além da crise financeira, a “insegurança que
atinge a região”.
Municípios como Aracoiaba, Cascavel e Horizonte informaram, pelas redes
sociais, o cancelamento das festas. Todos citam dificuldades nas
finanças. "Sabemos que o Carnaval é importante, mas não está fácil",
comenta o prefeito de Aracoiaba, Antônio Cláudio. Segundo ele, a
população ficou dividida com a notícia do cancelamento. "Ainda assim, o
prefeito precisa tomar essa decisão", diz.
Pelo quarto ano consecutivo, o governador Camilo Santana (PT) assinou em
janeiro decreto proibindo repasses de verbas destinadas a festas
carnavalescas. A exceção são as despesas relacionadas a eventos do
Sistema Estadual de Cultura (Siec).
Os cancelamentos ocorrem também no contexto em que os municípios têm
dificuldade, inclusive, para pagar a folha dos servidores. Levantamento
da Federação dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal do Ceará
(Fetamce) indicou que pelo menos 22 prefeituras estavam com salários dos
servidores de dezembro atrasados.
Crateús, mesmo constando na lista, vai fazer Carnaval mas sem recursos
da Prefeitura. O Município fez parceria com o setor privado. "Se fosse
para fazer festa pela Prefeitura, ninguém fazia", disse o prefeito
Marcelo Machado.
Na avaliação do diretor institucional da Aprece, Expedito Nascimento, a
crise pela qual as prefeituras passam é o principal motivo de os
gestores não arriscarem organizar as festas. Para ele, as cidades que
têm tradição de Carnaval e cuja festa se reverte em receita para o
município tendem a manter os festejos. Os demais, recuam.
"Ainda não vi um ano tão difícil para os municípios do que foi 2017. E
este ano não está sendo diferente", disse. Nascimento diz que a crise
financeira se justifica pela redução de recursos federais. O Fundo de
Participação dos Municípios sofreu queda e parte dos recursos especiais,
como os do Programa Saúde da Família, não foram reajustados. “Em uma
situação dessa, o município que não faz festa, a gente entende como
atitude de grandeza”, diz.
O POVO Online
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